quinta-feira, 21 de maio de 2020

CONJUNÇÃO COORDENADA "e": COM VÍRGULA E SEM VÍRGULA.

--- Muitas vezes nos é ensinado na escola que nunca se deve usar vírgula antes da letra e. Eu mesmo, no meu trabalho, já fui corrigido várias vezes por utilizar-me desta “ferramenta gramatical”, mas tenho certeza de que ela não é de todo errada. Quem está certo e quando? Gustavo Leança Adriano, São Paulo/SP.

--- Na frase “CEDAE – produzindo qualidade, e distribuindo saúde” está correto o emprego da vírgula antes da partícula de ligação e? Seria correto escrever “produzindo qualidade e distribuindo saúde”? André Prieto Machado, Rio de Janeiro/RJ.

O #BCCCV esclarece:


A conjunção é uma das partículas mais utilizadas no nosso idioma. Como tal, ela pode ser encontrada em várias situações: com vírgula antes ou depois e, mais frequentemente, sem vírgula. Tudo depende do caso. Hoje veremos dois deles.

1. NÃO se usa vírgula junto com a conjunção E quando ela coordena ou liga os elementos de uma enumeração (indicação de coisas uma por uma), que pode ser formada por substantivos, pronomes, adjetivos, orações etc. O e justamente substitui a vírgula diante do último elemento da enumeração:

Fico satisfeito em ver matéria tão clara, objetiva, concisa, correta e informativa.

O rabino não acredita que possa haver paz entre israelenses e palestinos.

Ele e ela estão casados há dez meses.

Produtos inovadores reduzem o colesterol, controlam a pressão arterial e tratam a depressão, entre outros efeitos.

Thompson era extremamente criativo e original, com seu estilo próprio e sua notável capacidade de interpretação e de crítica.

CEDAE – produzindo qualidade e distribuindo saúde.

2. APARECE necessariamente uma vírgula antes ou depois da conjunção e na enumeração quando ali se coloca alguma intercalação. Neste caso, a vírgula não tem relação direta com o e – ela está lá para fechar ou abrir o encaixe apenas.

Abaixo, veremos a enumeração (ou soma) sem a intercalação e com ela:

1.a O Estado de São Paulo e a Fundesp firmaram convênio com vistas a formar pessoal.
1.b O Estado de São Paulo, através da Secretaria de Meio Ambiente, e a Fundesp firmaram convênio com vistas a formar pessoal.

2.a Proceder de acordo com os arts. 2º e 12 da Lei 2.309/87.
2.b Proceder de acordo com os arts. 2º, § 1º, e 12 da Lei 2.309/87.

3.a João Silva e sua mulher, Nair Silva, brasileira, professora, requerem...
3.b João Silva, brasileiro, comerciante, residente na Rua X, e sua mulher, Nair Silva, brasileira, professora, requerem...

4.a Só beberam água e um cafezinho.
4.b Só beberam água, que faz tanto bem à saúde, e, ao final da festa, um cafezinho.

5.a Ele foi conselheiro de Segurança Nacional de George Bush e é tido como porta-voz informal do velho presidente.
5.b Ele foi conselheiro de Segurança Nacional de George Bush, pai, e é tido como porta-voz informal do velho presidente.

6.a Dividiu o bolo em fatias e distribuiu-as rapidamente.
6.b Dividiu o bolo em fatias e, pela pressa das crianças, distribuiu-as rapidamente.

Continua no próximo número.

Maria Tereza de Queiroz Piacentini 

segunda-feira, 18 de maio de 2020

ORTOGRAFIA:

CAPRICHOS DA LÍNGUA: EMBAIXO, MUÇARELA, GRAVIDEZ

O leitor Sylvio F. Bertoli sugere um assunto: a diferença de embaixo e em baixo. Aproveitaremos para ver também a locução adverbial em cima.

Há um par de advérbios que chama a atenção pela incoerência da grafia: embaixo e em cima, um junto e um separado. Mas é melhor observar a lista completa:

1) abaixo (rio abaixo)              2) acima (rio acima)
    debaixo do tapete                    de cima do banco
    embaixo da mesa                   em cima do balcão
    por baixo dos panos              por cima dos fatos

O #BCCCCV esclarece:


No caso 1, escreve-se três vezes junto e uma vez separado, até pelo fato de que a preposição por tem mais evidência que as outras (“porbaixo” ficaria deveras estranho!); no caso 2, três vezes separado e uma vez junto! Fazer o quê? É imposição oficial. Mas há um caso em que se escreve “baixo” separado da preposição ou de: é na relação entre de ... a,   formando locução adverbial, como nos seguintes exemplos:

A parede rachou de alto a baixo.

Pintou a escada de baixo a cima.

Já para usar a sequência em baixo, ou apenas a palavra baixo, é preciso que ela esteja modificando um substantivo – aí, baixo tem a função de adjetivo, sendo portanto variável:

Vive em baixo astral.

Trafega em baixa velocidade.

Falou em tom baixo.

QUEIJO MOZZARELLA

--- Há 15 anos trabalhando como revisor, principalmente em agências de publicidade, quando ocorre num trabalho de um cliente querer grafar “mussarela” como o nome daquele queijo muito utilizado em pizzas, tenho conseguido convencê-los a aceitar a forma mozarela, que consta no Michaelis (ao lado de muçarela, infelizmente) como aportuguesamento do italiano mozzarella. Isso apesar da turma do “mas eu sempre vi escrito assim”. Qual a sua opinião a respeito? Celso Mattos, Mogi das Cruzes/SP

Entendo que se deve adotar o termo italiano original – mozzarella – ou uma das duas formas dicionarizadas (Michaelis, Aurélio, Houaiss, PVOLP): mozarela, aportuguesamento da grafia italiana, ou muçarela, grafia baseada na pronúncia brasileira, mas que ainda parece estranha, por ser pouco usada. Trocar o cê cedilha por dois esses (mussarela)? Até ficaria simpático, mas deixaria muito confuso quem recorresse ao dicionário em caso de dúvida, pois não encontraria ali essa grafia. Na verdade é uma questão de hábito. Já nos acostumamos, por exemplo, com o cê cedilha em palavras como maça (arma de ferro), maçaneta, maçante, maçarico, maçom, miçanga, moçárabe, moçoró, muçulmano, muçum.

GRAVIDEZ TEM PLURAL?

A primeira vez que me perguntaram se a palavra gravidez tinha plural eu disse que não, até porque dois médicos a quem dirigi a mesma pergunta responderam que não há, e eu mesma não encontrei o plural nos dicionários e nos livros de medicina de que disponho. Além do mais, “gravidezes” soa estranho, o que justifica o seu desuso ou raridade, embora em artigos na internet seja bem frequente. A explicação para tal flexão é que as palavras terminadas em Z ou EZ formam o plural com o acréscimo de “es”, caso de avestruz – avestruzes, vez – vezes. Mas devo contrapor que nem sempre é assim: o plural de tez (cútis) é tez, não *tezes, e tampouco o adjetivo indez se usa no plural: os ovos indez. Por que então gravidez teria obrigatoriamente um plural?

Sendo assim, no caso de mais de uma, é melhor e mais elegante falar em gestação:

Maria teve sete gestações em 10 anos.

Ainda é possível reestruturar a frase:

Maria teve gravidez tubária duas vezes.

Ela teve gravidez de risco nos quatro filhos. [em vez de quatro gravidezes]

Maria Tereza de Queiroz Piacentini 

quinta-feira, 14 de maio de 2020

PRESENTE DO SUBJUNTIVO: QUE SEJA ÚTIL

--- Existe alguma regra que se refere ao uso do presente do subjuntivo que seja específica para orações subordinadas? Marion Pinto, Florianópolis/SC

A própria origem da palavra subjuntivo (do latim subjunctivus – que serve para ligar, para subordinar) indica sua função principal. O subjuntivo é por excelência o modo utilizado nas orações subordinadas que dependem de verbos cujo sentido esteja ligado à ideia de ordem, proibição, desejo, vontade, necessidade, condição e outras correlatas.


O BCCCV esclarece:


O uso do subjuntivo implica, em qualquer caso, uma probabilidade, uma não-concretização – ainda – de alguma coisa. Observe duas frases com a mesma construção:


. Temos lideranças que contribuem para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. [o verbo da oração principal é TER, portanto já existem tais líderes, o que implica o uso do modo indicativo na oração subordinada]


. Queremos formar lideranças que contribuam para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. [aqui estamos na fase de QUERER: ainda não temos esses líderes, daí o uso na oração subordinada do subjuntivo “contribuam”]


Exemplos de uso do PRESENTE do subjuntivo


Para exprimir ordem, proibição, desejo, vontade, súplica:


Deseja que eu volte logo.

Ordenou que paguemos a dívida.

Proibiu que os sócios bebam e implorou que eles trabalhem.

Ele sempre pede que o pessoal estude com afinco.

Nada impede que a integração se  e que alguns gerentes de unidades de conservação possam ser escolhidos.

Pretendemos desenvolver ações que incentivem a pesquisa e a implementação de práticas pedagógicas anti-racistas.

Vamos discutir ações e propostas que busquem alterar as desigualdades raciais.

Esperamos então que os guardas-parques que tanto queremos já possam estar uniformizados e trabalhando no próximo verão.


Para exprimir dúvida, receio, necessidade, condição, apreciação, aprovação, admiração:


Duvido que saibas

Não acredito que chores por isso.

Será melhor (ou pior) que não diga nada. 

Negou que tenha cometido o delito.

Lamentamos que nossos atendentes sejam relapsos.

É importante que todos percebam o real papel dos guardas-parques. Eles são os verdadeiros heróis da conservação das áreas protegidas e não é justo, nem bom para a natureza, que continuem sendo esquecidos

É preciso que se deixe de lado esta visão que nos aprisiona num passado de dor e não permite melhorar as condições de vida dos afrodescendentes.

O Estado deve definir políticas de inclusão que possibilitem às crianças condições de realizar seu percurso escolar até o ensino superior.

Temo que não mais se publiquem livros que provoquem o pensar.
 

Também usamos o presente do subjuntivo para referir fatos incertos com o advérbio talvez em períodos simples ou orações coordenadas:

Talvez eu assista ao jogo.
Talvez sejam contempladas, talvez sejam eliminadas.


Igualmente em frases imperativas:


Que sejas feliz.
(Que) Deus nos abençoe.
 Bons ventos o levem.
Cantemos a uma só voz...


Maria Tereza de Queiroz Piacentini

sábado, 9 de maio de 2020

VIDE, BARATO, POR SI SÓS, SIC:

--- Vide. Essa expressão é usada amiúde, como imperativo do verbo ver. Ex.: Vide rodapé; vide página 13 etc. Pergunto se o correto não seria vede e em que hipótese devemos usar o vide acertadamente. Aparecido Ladislau Favini, Campo Mourão/PR

Usa-se vide quando se quer remeter alguém a um livro, capítulo, página ou trecho diferente do que se está vendo. Abrevia-se v. ou V. – inicial maiúscula quando no início da frase.


O imperativo do verbo ver de fato é vede, que se refere a vós, pronome raro no Brasil, o que talvez explique a preferência pelo latim “vide”. Melhor seria usar ver ou veja, por exemplo:

Veja pág. 10.
Ver bula.
Ver referência no final do capítulo.


O #BCCCV esclarece:


--- Gostaria de saber se a palavra barato, referente a preço, tem feminino; por exemplo, a roupa é barata. Wagner de Jesus Baptista, São Paulo/SP


O adjetivo barato tem o feminino barata, sim. E tem plural. Ou seja, flexiona em número e gênero quando qualifica um substantivo na sua proximidade [exemplos 1 e 2] ou em frases com verbos de ligação, dos quais ser e estar são os principais [exemplos 3 a 6]. O mesmo vale para o adjetivo “caro”:


1) Eles levam uma vida barata.

2) Encontraram diversões baratas na cidade.

3) A roupa é muito barata nos nossos estabelecimentos.

4) Os pãezinhos estão cada vez mais caros, quando deviam ser baratos.

5) As viagens internacionais ficaram mais caras com o aumento do dólar, o que não significa que as nacionais estejam mais baratas.

6) Com a redução do IPI, os carros podem ficar mais baratos.


Barato só não flexiona (permanece no masculino singular) quando é usado adverbialmente, isto é, junto com verbos que não sejam de ligação, como custar e sair:


A roupa custa barato, mas os móveis custam caro.

Os tapetes saíram barato; as aulas afinal saíram caro.

O candidato promete que os itens da cesta básica custarão mais barato.


--- A expressão “por si só” é usada sempre no singular ou deve também ser flexionada no plural? Por exemplo: as provas apresentadas, por si só, não foram suficientes para caracterizar o dano. Caroline de Souza, Florianópolis/SC


Deve-se pluralizar a expressão de acordo com o substantivo em referência. Quando reforça o pronome si (que serve para singular e plural), a palavra  tem valor adjetivo e é portanto flexionável. É como se disséssemos “a ação por si mesma, as provas por si mesmas, os fatos por si próprios”. Alguns exemplos:


Os fatos por si sós recomendam a punição do infrator.

Essas medidas por si sós resolverão o caso.

As provas apresentadas, por si sós, não são suficientes para caracterizar o dano.


--- O que significa a expressão (sic) presente em diversos artigos de jornais e revistas? D. P. B., Rio de Janeiro/RJ


O termo sic – advérbio latino que quer dizer “assim” – é usado entre parênteses depois de qualquer palavra ou frase que contenha um erro gramatical ou um dito absurdo que o redator quer deixar claro que não é dele, mas sim da pessoa que falou ou escreveu aquilo. Em resumo: ao colocar (sic), você mostra ao leitor que é assim mesmo que estava no original, por mais errado ou estranho que pareça. Mas veja bem, não se deve usar (sic) a torto e a direito. Ao transcrever um trecho que contenha evidentes lapsos de datilografia ou digitação, é melhor consertá-los. A propósito, e para deixar bem claro: somente erros de ortografia podem ser alterados para conserto (e os de grafia antiga para atualização). Se o autor cometeu muitos erros de outra natureza, é preferível não citá-lo, não é mesmo?


Maria Tereza de Queiroz Piacentini

sexta-feira, 8 de maio de 2020

VERBOS: CONHECER, PISAR, AVISAR

--- Nos tribunais, é usual dizer: “não conhecer do recurso” no sentido de não admitir, não ser recebido para discussão do mérito. Pode ocorrer por ser inadequado, intempestivo, ou porque não foi recolhida a quantia do denominado “preparo”. Comenta-se que no STJ ocorreu grande polêmica a respeito dessa expressão e por isso formulo a consulta: a) não conhecer do ou o recurso? T.N.V., Florianópolis/SC

O verbo conhecer, nos seus significados mais comuns de “saber, ter ideia, informação, consciência ou experiência, apreciar, conviver com”, é transitivo direto, ou seja, é usado sem nenhuma preposição; neste caso o pronome objeto é o/a, e não lhe:

Conheço bem os seus defeitos.

No ano passado conhecemos o sul da Espanha.

Já não a conheço?

O desembargador conhece Português como poucos.

O #BCCCV esclarece:


Vou assistir, em Porto Alegre, à conferência de Maffesoli, pois eu conheci em Paris há dois anos.

É igualmente possível usar o verbo conhecer como transitivo indireto, preposicionado – porém com o sentido mais restrito de “informar-se, procurar saber”:

Precisamos conhecer das condições de venda do imóvel.

E também, na área jurídica, usa-se “conhecer de” significando “ter (juiz ou tribunal) competência para intervir num processo; tomar conhecimento de uma causa ou recurso e dar-se competente para julgá-la”, conforme palavras dos dicionários; ou “não conhecer de” com o sentido explicitado pelo leitor catarinense:

O juiz decidiu conhecer do pedido.

O Supremo não conheceu do recurso.

Nos termos do voto do relator, à unanimidade, conheceram do recurso para negar-lhe provimento.

--- Qual a expressão correta: Não pise na grama / a grama / à grama. Esta última me pareceu bastante estranha, mas foi vista no jardim de um órgão público federal. Ednaldo João Ariane Silva, Salvador/BA

O verbo pisar, no sentido de “pôr os pés no chão, andar, caminhar”, pode ser tanto transitivo direto quanto indireto, com a preposição EM. Isso significa que a prep. A, no caso de “à grama”, foi mal empregada. É possível dizer:

Pisar a grama ou Pisar na grama.

Pisar as flores.

Pisar nos amores-perfeitos.

Pisar em ovos.

Pisar nos calos.

--- Qual a regência do verbo avisar? Verônica Hirata, Cuiabá/MT

A construção originária é avisar alguém (de alguma coisa):

É bom avisá-la do perigo.

Bem que eu a avisei, Marcela.

Avisamos os clientes da mudança de endereço.

Não saia sem avisar seus pais.

Ninguém me avisou disso.

O chefe avisou os funcionários de que os documentos estavam prontos.

Entretanto, já tem tradição na língua o uso de avisar com objeto indireto de pessoa e direto de coisa, por analogia com os verbos dizer e comunicar

Avisamos aos nossos clientes que vamos atendê-los em novo endereço.

Eu lhe avisei a data da reunião.

Também são usadas as preposições para e sobre:

Avisei os amigos sobre os problemas pendentes.

O médico avisou o menino para largar o cigarro.

Maria Tereza de Queiroz Piacentini

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

VÍRGULA:

-DATA E LOCAL EM INÍCIO DE FRASE - VÍRGULA OU NÃO


-- No tratamento das datas em textos é certo virgular, digo: é sempre obrigatório? Exemplo: Em 5/6/2002(,) enviei os documentos para análise. Eu pessoalmente acredito que não cabe vírgula, mas há quem assegure ser necessário colocá-las sempre. I.C.R.G., João Pessoa/PB

É certo, sim, virgular, mas não obrigatoriamente. Não só as datas, mas também o local. Enfim, quando iniciam a frase, os adjuntos de tempo e lugar podem ou não vir separados por uma vírgula – depende do redator e das circunstâncias (tipo de frase, estilo, gosto, extensão do adjunto). Recolhi nas revistas Istoé, Veja, Exame e Época exemplos das duas modalidades de uso. 

O #BCCCV esclarece: 


COM VÍRGULA:

Em 1994, o primeiro ocidental a rever as relíquias foi o arqueólogo Manfred Korfmann.

No dia 30 de maio de 2001, o diretor foi agredido pelo aluno R.S.C.

Nos anos 60, os sócios dos Diários Associados encomendaram ao pintor paulistano Wesley Duke Lee um quadro de Chatô.

Às 19h30 de 12 de abril de 1972, o dirigente comunista João Amazonas embarcaria num ônibus na rodoviária de Anápolis (GO) rumo a Marabá (PA).

No Brasil, a empresa fechou alguns contratos importantes durante o primeiro trimestre.

Nos últimos dias, o governo abriu o cofre e passou a liberar verbas para emendas dos parlamentares num ritmo muito superior ao registrado desde o início do ano.

Até o fim de junho, todos os internautas poderão navegar livremente pelas páginas da revista na internet. [...] Diariamente, cerca de 30.000 pessoas acessam a revista online. Em abril, o site bateu seu recorde de audiência.

Em Brasília, as demissões de ministros costumam ficar em duas categorias. [...] Na terça, o ministro convocou entrevista coletiva. No teatro, Bezerra explicou que estava saindo porque não teve solidariedade. Antes, o presidente recebera Bezerra, ouvira suas explicações, mas não o demitiu. [...] Logo após, o governo aplicou ao ex-ministro um castigo público.

Atualmente, as vendas de cosméticos movimentam por ali 1,5 bilhão de dólares ao ano.

SEM VÍRGULA:

Em 1985 ocorreu novo surto de sarampo.

Em 21 de julho de 1969 o Homem pisou na Lua.

No ano de 1893 o então Governador do Estado rompe com o Governo Republicano.

Nos próximos dias  os brasileiros assistirão a um embate jurídico de peso.

No Brasil foi criado recentemente um ranking que avalia as companhias de acordo com seu desempenho no campo da ética dos negócios.

Na mesma cidade encontra-se o expoente máximo da modernidade.

Há um ano fez um piercing no umbigo, que quase matou sua mãe de susto.

No ano passado me convidaram para ir a Fortaleza.

A cada dia que passa só aumenta a curiosidade do país sobre a bolada de R$ 1,3 milhão.

E nossos escritores, como usam esse tipo de adjunto? É o que veremos na próxima coluna.

Maria Tereza de Queiroz Piacentini

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

ESTADA ou ESTADIA etc.

--- A palavra correta é estada ou estadia quando você quer dizer a permanência em um hotel ou outro lugar? Maria Helena Prezoto Ferrari, São Paulo/SP

Tanto faz. Já se foi o tempo em que era rigorosa a distinção entre os dois termos: estadia era só para navio, estada para os demais casos. Mas, até por uma questão de eufonia, passou-se a usar estadia para qualquer tipo de permanência, de carro em estacionamento a pessoa em hotel. Finalmente, eis que o dicionário Houaiss avaliza o uso corrente:

ESTADA é o ato de estar, de permanecer em algum lugar:

Durante a sua estada no poder, o Presidente fez várias viagens ao exterior.

Sua estada na ilha foi gratificante, disse ele.

Consideramos nossa estada na Inglaterra muito proveitosa em termos culturais.

ESTADIA significa “permanência, estada por tempo determinado”; ou período de tempo autorizado de um navio mercante num porto, o mesmo que estalia. Exemplos:

A Secretaria a Saúde vai custear sua estadia em Curitiba durante o curso.

estadia no campo deixou o pessoal mais relaxado.

Um dos momentos mais emocionantes da estadia do cantor em Baltimore foi quando ele viu o vídeo de um show que Leonardo fez sozinho em Santa Catarina.

--- Há vários anos, tenho tentado, através de leitura, indagações e consultas variadas, saber o que significam as letras de SPA. Um sem-número de pessoas pronunciam e repetem spa's e nunca mencionam o significado das letras. Vocês poderiam desvendar-me esse mistério? Amilton de Moraes Varella, São Paulo/SP


O #BCCCV informa:

SPA é o nome que se dá a uma estância hidromineral, hotel distante das cidades ou grande estabelecimento comercial que oferece um tratamento integrado de saúde e beleza. Essa designação é comumente associada à cidade de Spa, antiga e famosa estância hidromineral localizada no leste da Bélgica. As três letras são as iniciais da expressão latina “Salutae Per Aquam”, que quer dizer “saúde ou cura pela água”. Observe o plural sem apóstrofo:

Fagundes conseguiu voltar à boa forma depois da permanência de três dias num spa.

Simon & Cia. pretende investir na construção de dois spas em São Paulo.

--- Gostaria de saber se a palavra yoga ou ioga é usada no feminino ou masculino? Devo acentuá-la (yôga) como já vi? E qual a pronúncia correta? Adroaldo de Andrade, São José/SC 

Em português a palavra é feminina e escrita com i. Sua pronúncia pode ser aberta /ióga/, pela nossa tendência a pronunciar o ó aberto, ou fechada /iôga/, como sabe todo bom praticante iogue, por causa de sua origem no sânscrito, língua em que não ocorre o som aberto ó. Também é a etimologia que explica a grafia com e o uso de o yoga, pois as palavras sânscritas terminadas em a geralmente pertencem ao gênero masculino.

Resumindo: em português brasileiro se diz a ioga; em “português-sânscrito”, o yoga (sem necessidade de se colocar o acento circunflexo informativo da pronúncia).

Ioga quer dizer “união”. Em sânscrito, yoga era palavra também utilizada para designar a canga ou jugo de madeira usado para prender uma junta de bois. Daí o significado de união: da natureza com o Espírito, do humano com o Absoluto, da alma com Deus.


Maria Tereza de Queiroz Piacentini