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sábado, 14 de julho de 2018

POR QUÊ; POR QUE; PORQUE; PORQUÊ; QUÊ:

RAPIDINHA DOS PORQUÊS:

De São Paulo, o leitor W. Santos sugere o tema por que porque. E sei por quê. É que há toda uma geração de brasileiros que aprendeu o seguinte: por que separado se usa em perguntas; porque junto se usa na resposta. É verdade, mas não é a verdade toda. O correto é acrescentar que por que separado também se usa em respostas e afirmações. Vejamos esses casos esquematicamente.


1. POR QUE


Expressão formada pela sequência de preposição + pronome interrogativo ou relativo. Utilizada em perguntas diretas e indiretas; em frases afirmativas/negativas e exclamativas; em títulos de obras/artigos. Equivale a por qual razão / por qual motivo. Exemplos:


Por que está tão difícil a captação de recursos?

Vocês entenderam agora por que é importante ler bons textos?

Sabes por que ela não veio? Sinceramente, não sei por que ela não veio.

Por que entrar no orkut, eis a questão.

Sempre me pergunto por que a inflação está voltando a esse patamar.

Teve de explicar aos superiores por que acontecera outro acidente.

Ninguém entende por que você o abandonou.

POR QUE PARAR DE FUMAR  [título de artigo]

Por que formar uma miniempresa – anote dez razões [título de livro]

Vamos verificar por que as vendas estão caindo nesse setor.


Observe que a palavra razão/motivo pode estar apenas subentendida ou aparecer claramente na frase:


Se pago, quero saber por que (motivo) pago.

O cliente teve de explicar por que (razão) atrasou o pagamento.

Houve um engarrafamento, daí por que nos atrasamos. 
[ = daí o motivo pelo qual ]

Eis os motivos por que eles parecem tão felizes.

Não consigo entender por que razão foram descontados os dias de greve.


2. POR QUÊ?!.     QUÊ?!.


O monossílabo átono que passa a ser tônico em final de frase. Acentue-o, portanto, antes do ponto (final, de interrogação ou de exclamação):


Obrigado. – Não há de quê.

O prefeito convocou uma reunião mas ninguém compareceu, só Deus sabe por quê.

Quem foi à festa adorou. Você não quer descobrir por quê?

Correr tanto pra quê?!

Ela é especial, sabes por quê?

Qual o quê! Isso é pura intriga.


3. PORQUE


Conjunção explicativa ou causal, substituível por pois, uma vez que, já que, porquanto, ou pelo fato de que, como (caso dos dois últimos exemplos a seguir):


Não foi ao treino porque não se sentia bem.

Ele se sente meio confuso porque não leu a matéria com concentração.

Por que foram a juízo? Porque estavam cheios de razão.

Abandonou o curso de pós-graduação porque, tendo de dar aulas à noite e trabalhar de manhã, sentiu-se no limite.

Ela, sim, soube a razão do confisco, porque além do cargo tinha outros poderes.

Porque o fumo é plantado em lombas, as mudas nem sempre podem ser replantadas em terreno contínuo. 

Porque a onça caça à noite é difícil registrar seus hábitos.


4. PORQUÊ


Acentuado, numa palavra só e antecedido de artigo, agora é substantivo masculino, pluralizável, equivalente aos substantivos motivo, causa, razão, indagação:


Não entendo o porquê da rejeição.

O Congresso precisaria analisar o porquê de tantos desmandos. 

É difícil achar respostas para todos os nossos porquês.


Maria Tereza de Queiroz Piacentini 

quarta-feira, 4 de julho de 2018

AGENTE DE ou DA POLÍCIA?

O leitor SAMG, de João Pessoa/PB, anota que é uma agressão à nossa língua “dizer agente de polícia civil ao invés de agente da polícia civil, pois se perguntarmos ao agente onde ele trabalha certamente ouviremos como resposta na Polícia, e não em Polícia”.



Não creio que seja bem assim. Vejamos por que digo isso.


A rigor, uma vez que se qualifique ou determine o segundo substantivo de uma locução, deveria se determinar o antecedente usando da e não de. Por exemplo: ele é chefe de gabinete. Se o gabinete é da Presidência, se diria, como consequência: ele é o chefe do gabinete da Presidência. Mas também é lícito dizer “chefe de gabinete da Presidência” quando se quer ou se precisa manter a unidade da expressão "chefe de gabinete". Isto é: ele é chefe de gabinete (do gabinete) da Presidência. Subentende-se a repetição da palavra “gabinete”.


Outro caso semelhante é o do “projeto de lei orçamentária”, que está registrado, por exemplo, inúmeras vezes na Constituição Federal. Pode parecer estranho, mas tem a mesma lógica: o projeto de lei (da lei) orçamentária. Nesse tipo de estrutura está se evitando – reitero – a repetição do segundo substantivo (lei), que então estaria determinado pelo artigo. O "projeto de lei" forma uma unidade “imexível”: o “projeto da lei orçamentária” seria outra coisa, diferente do “projeto de lei (da lei) orçamentária”.


Chegamos, então, ao agente de polícia. O seu cargo é exatamente este: agente de polícia, assim como “delegado de polícia”. Mas qual polícia? perguntamos. – A polícia civil. Portanto, ele é um agente de polícia da polícia civil. Sem a repetição, dizemos: um agente de polícia civil.

Maria Tereza de Queiroz Piacentini


terça-feira, 3 de julho de 2018

VÍRGULA: e a expressão mínimo

De um articulista do jornal Diário Catarinense: 
Esta semana o PMDB conseguiu tomar duas decisões, no mínimo, surrealistas.



O que fazem as duas vírgulas ali? Nada, só tiram a fluência da afirmação. 
Quando no mínimo toma o lugar de um advérbio de intensidade, não deve vir entre vírgulas. 
Veja que essa mesma frase poderia ser dita assim:

- Esta semana o PMDB conseguiu tomar duas decisões muito surrealistas.

- Esta semana o PMDB conseguiu tomar duas decisões bastante surrealistas.

- Esta semana o PMDB conseguiu tomar duas decisões excepcionalmente surrealistas.

A expressão no mínimo, como se vê, às vezes serve apenas de reforço; não significa “que é o menor”. Portanto, assim como você não usaria entre vírgulas os advérbios de intensidade acima, não deve entalar no mínimo entre tais sinais de pontuação. Mesmo quando tem o sentido de “no menor limite provável”, as vírgulas podem ser eliminadas, principalmente quando no mínimo vem depois do verbo:

Chegaremos no mínimo às 22 horas.

Espero que ele faça no mínimo três pontos.

Também a expressão equivalente pelo menos deve receber o emprego sóbrio das vírgulas, especialmente quando vem depois do verbo. Podemos observar, nos exemplos abaixo, que sem tal pontuação a frase flui melhor, sem tropeços:

Estamos à sua espera há pelo menos vinte minutos.

Ela espera fazer pelo menos quatro pontos.

A inserção do art. 84-A na Lei 9.981/00 é no mínimo impertinente, para não dizer inútil.

Sua atitude causa no mínimo estranheza.

Mas devo ressalvar que a vírgula também pode ser usada em caso de necessária ênfase e sobretudo quando há um deslocamento da expressão (para longe do verbo):

Ela espera fazer quatro pontos, pelo menos.
Disse que a pesquisa vai demandar de dois meses, no mínimo, a quatro, no máximo.

Enfim, em se tratando de no mínimo pelo menos, seria o caso de dizer: use mas não abuse!



Maria Tereza de Queiroz Piacentini 

quarta-feira, 6 de junho de 2018

CHEGANDO AO PONTO ou A PONTO?

“Roubaram as roupas da cachorrinha. A que ponto chegamos!” Terminou assim o comentário do jornalista Luiz Carlos Prates sobre um inédito caso de furto. Isso vem a propósito da dúvida que assaltou a leitora Cláudia N. M. da Cunha, de Florianópolis/SC: Como é correto escrever e por que: chegando AO ponto de ou chegando A ponto de.

O BCCCV esclarece:


Assinale a primeira opção, Cláudia, por causa do verbo chegar. A questão é que existem três expressões parecidas:


1. AO PONTO:


 Diz-se de carne medianamente passada:

Quero minha picanha ao ponto.



2. A PONTO DE: 

  
a) Locução que significa "prestes a; em perigo de"; segue-lhe um verbo no infinitivo:


Quando chegou a visita, estávamos a ponto de sair de casa.

Estivemos a ponto de comprar a casa que ruiu na última enchente – sorte nossa.

Jota estava a ponto de afogar-se quando chegou o salva-vidas.




b) Locução de valor consecutivo [recordemos as conjunções consecutivas: tão...que, tal...que, tanto...que, tamanho...que], com sentido equivalente a "a pique de"; também seguida de um verbo no infinitivo:


O sujeito ficou superfurioso, a ponto de agredir fisicamente o árbitro (que esteve a ponto de perder sua imparcialidade).

Jota indignou-se a ponto de interromper o discurso do paraninfo.

O programa – que é não governamental – vem cumprindo sua missão de maneira invejável, a ponto de suscitar muitas imitações.

A inflação recrudesceu, a ponto de o presidente convocar reunião de emergência com a equipe econômica.


3) PONTO: 


Substantivo com o sentido de "limite, situação extrema" e que pode ser definido: o ponto, esse ponto, que ponto, tal ponto etc.; muito usado com o verbo chegar, que requer a preposição a (se for usado o artigo, ficará ao):

Bateu na mulher – nunca pensei que fosse chegar a esse ponto

A lei não chega ao ponto de exigir a assinatura do destinatário.

O desequilíbrio o levou ao ponto da violência física.

O condomínio tradicional perdeu importância nos últimos 40 anos diante da avassaladora presença dos empreendimentos imobiliários subordinados à Lei 4.591/64, [chegando] a tal ponto que hoje se costuma adjetivá-lo como milenar, antigo etc.
 

Sendo assim, analise cuidadosamente o caso antes de trocar precipitadamente o “ao ponto de” que seu computador assinala em verde por “a ponto de”, visto que Você pode estar com a razão!

Maria Tereza de Queiroz Piacentini 

sexta-feira, 1 de junho de 2018

PRONOME DEMONSTRATIVO 'O':

E, USOS ESTEREOTIPADOS :

Diante da frase "Se a opinião é desprezível, a gramática não o é", o leitor J. F. Filho, de Joinville/SC, pergunta se o “o grifado é facultativo, obrigatório ou foi equivocadamente incluído”.
O BCCCV esclarece:


Não foi equívoco, não. Eu o utilizei para exprimir que "a gramática não é desprezível" mas sem ter de repetir o adjetivo "desprezível". Trata-se de um pronome demonstrativo, equivalendo a isso (isto/aquilo). Ele é obrigatório na língua culta padrão, porém dispensável na fala, no linguajar coloquial. Sua utilidade é evitar a repetição do adjetivo e, em outras ocasiões, de um substantivo ou do sentido geral de uma frase. Seguem exemplos em que assinalo os termos a que o pronome "o" se refere:

Eles são tão pobres de espírito quanto o são de inteligência.

Não foi apenas a pesquisadora que se mostrou surpreendida. Os próprios entrevistados também o estavam.

Era conhecido – e ainda o é – em todos os círculos sociais do Rio de Janeiro.

O valor de uma desilusão, sabia-o ela.  

Não cuides que era sincero, era-o.  

Ser feliz é o que importa / Não importa como o ser!”

USOS ESTEREOTIPADOS DO PRONOME DEMONSTRATIVO:

Além disso -  Estamos sem água. Além disso, a luz foi cortada.

Desta forma  (ou dessa forma/maneiradeste/desse modo) -  Não pude consultá-la com antecedência. Desta forma, peço que me desculpe.

Isto é [= quer dizer] - Disse que não se dão bem, isto é, se detestam.

Isto posto - A realização de um curso de inglês na empresa é importante pelos seguintes motivos:   1) ----- 2)------ etc.  Isto posto, solicitamos que V. Exa. aprove nosso projeto.

Nem por isso - Ela não me deu bom-dia, nem por isso vou deixar de cumprimentá-la.

Nisto [então, em tal momento] - Pensei largar tudo e ir dormir cedo. Nisto, bateram à porta.

Por isso - Estou exausto; por isso, quero silêncio.

Maria Tereza de Queiroz Piacentini

sexta-feira, 18 de maio de 2018

PRONOMES DEMONSTRATIVOS:

ESTE, ESSE, AQUELE:
O #BCCCV ESCLARECE:



Em português existem três pronomes demonstrativos com suas formas variáveis em gênero e número e três invariáveis [isto, isso, aquilo].  Eles assinalam a posição do objeto designado relativamente às pessoas do discurso (falante/ouvinte) e ao assunto do discurso (o ser de que se fala). Há uma estreita relação entre os pronomes PESSOAIS, os POSSESSIVOS e os DEMONSTRATIVOS:

1ª pessoa - meu - este, esta, isto          
2ª pessoa - teu - esse, essa, isso          
3ª pessoa - seu - aquele, aquela, aquilo 

Apesar de existirem regras para os pronomes demonstrativos, não se constata muita rigidez no seu uso, principalmente na fala – quando se observa uma assimilação do T pelo S (parece que tudo é isso, essa, esse) – e sobretudo no tocante ao seu emprego para lembrar ao leitor ou ouvinte o que já foi mencionado ou se vai mencionar. Vejamos então um esquema de bom emprego dos pronomes demonstrativos:

- Em relação ao LUGAR:

. o lugar onde estou  >  ESTE
. o  lugar onde você está  >  ESSE
. o lugar distante do falante e do ouvinte >  AQUELE

Há neste ponto uma natural correlação com os advérbios de lugar: isto aqui – isso aí – aquilo ali / lá (jamais se diz aquilo aqui; pode-se até ouvir isso aqui, mas por causa da mencionada assimilação do T). Exemplos corretos:

Neste capítulo [o capítulo que V. está descrevendo] apresentamos os objetivos.

Veja (aqui) esta borboleta, que linda!

Que país é este ? perguntam-se os brasileiros. [referindo-se ao Brasil e no Brasil]

Pegue aqui: relacione todos os nomes citados neste livrete.

Em atenção a pedido dessa instituição, estamos remetendo a V. Sa. o boletim ECO.

Traga-me esses livros que estão com você.

Logo que puder, despacharei os pacotes para essa cidade.

- Emprego em relação ao TEMPO:

. tempo presente >  ESTE
. passado próximo  >  ESSE
. passado distante  >  AQUELE

Neste ano [trata-se do ano em curso] pouco se fez em favor dos sem-teto.

Não há ocorrência de acidentes nesta data. [hoje]

O iPhone é uma das boas invenções deste século

Nestes últimos vinte anos a mulher tem ocupado mais espaços.

A década de 20 marcou a conquista do voto pela mulher. Nesses dez anos ela travou grandes lutas pela liberdade.

Marina esteve na cidade por esses dias...

Quando éramos crianças brincávamos mais, pois naquela época não havia pré-escola, nem aulas de natação, de balé, de inglês...

Bons tempos aqueles! - diz vovó, nostálgica.

- Emprego em relação ao DISCURSO:

o que vai ser mencionado >  ESTE

É isto que eu digo sempre: cultura é fundamental. [obs. O pronome está antes dos dois-pontos]

Nosso vizinho vive repetindo este provérbio: “Casa de ferreiro, espeto de pau”.    

o que se mencionou antes  >  ESSE

A segunda parte do trabalho dispõe sobre a marginalidade social. É nesse capítulo / nessa parte / nesse pontoque se discutem os desvios verificados nas instituições pesquisadas.

É possível comer manga e tomar leite junto? Melancia com vinho faz mal?
Disso tratam os autores no final do artigo.

Há ainda o item “entre dois ou três fatos citados” e outros casos a serem discutidos neste tópico referente ao discurso. Continuaremos na próxima semana.
 

Maria Tereza de Queiroz Piacentin

terça-feira, 15 de maio de 2018

SALVADOR DALÍ: Grande nome das Artes.

Ele foi um dos grandes pintores do movimento chamado Surrealismo. Foi uma criança apaixonada pela arte. 
O #BCCCV mostra:

Começando a pintar aos 10 anos, passou a frequentar a Escola Municipal de Desenho. Nascido em 11 de maio, de 1904, na Catalunha (Espanha), Salvador Domingo Felipe Jacinto Dalí y Domènech, mais conhecido como Salvador Dalí entrou na Escola de Pintura e Escultura da Academia de São Fernando, em Madri, aos 18 anos. Sua arte passeia pela pintura, escultura, fotografia, teatro, moda, cinema e design. Ficou muito conhecido pelo seu bigode sinuoso e extravagante.
Aos 16 anos já tinha produzido mais de 80 obras. Foi grande amigo de artistas e intelectuais como o escritor Federico Garcia Lorca e o cineasta Luís Bruñuel, chegando a colaborar com dois de seus mais famosos filmes, o Cão Andaluz e A Idade de Ouro. Dalí trilhou pelo Cubismo e tornou-se um dos principais nomes do Surrealismo, na década de 1930. Suas obras são caracterizadas pelas cores vivas, imagens oníricas e bizarras, tendo muita influência das teorias psicanalíticas de Sigmund Freud.
Faleceu de pneumonia e problemas cardíacos, na cidade espanhola de Figueres, em 23 de janeiro de 1989. Entre suas grandes obras destacam-se “Jogo Lúgubre” (1929), “Persistência da Memória” (1931), “Metamorfose de Narciso” (1937), a escultura “Madona de Port Lligat” (1950), que tinha mais de três metros de altura, a “Cabeça Rafaelesca Arrebentada” (1951), entre tantas outras.
Fonte: Varejão do Estudante