sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

RAPIDINHAS DE LITERATURA: Realismo

Realismo e Naturalismo - resumo, contexto histórico, autores, dicas :

BCCCV informa:

A partir da segunda metade do século 20, as concepções estéticas que nortearam o ideário romântico começaram a perder espaço. Uma nova tendência, baseada na trama psicológica e em personagens inspirados na realidade, toma conta da literatura ocidental. Estava inaugurado o Realismo-Naturalismo.
No Brasil, essa passagem ocorre em 1881, com a publicação de Memória Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis (1839-1908), e de O Mulato, de Aluísio Azevedo (1857-1913). Enquanto o livro de Machado apresenta acentuado viés realista, o de Aluísio é claramente naturalista.

Realismo
O Realismo brasileiro é completamente diferente do europeu. A obra de seu principal autor, Machado de Assis, escapa de qualquer tentativa de classificação esquemática.

Na fase madura, Machado produz uma literatura essencialmente problematizadora. Com minuciosa investigação psicológica, ele indaga a existência humana. Ele ainda substitui o determinismo biológico por acentuado pessimismo existencialista e discute temas como a relatividade da loucura e a exploração do homem pelo próprio homem.

A intertextualidade e a metalinguagem marcam o estilo de Machado. O uso da linguagem poética, do jogo proposital de ambiguidades, da recuperação de lugares comuns e do microrrealismo psicológico também são características fundamentais da obra machadiana. Dom CasmurroEsaú e Jacó e Memorial de Aires são alguns romances do autor.

Naturalismo
O principal autor naturalista no Brasil é Aluísio Azevedo. O determinismo social predomina em sua obra, construída através de observação rigorosa do mundo físico e da zoomorfização das personagens. Aluísio é autor de O mulatoCasa de pensão O cortiço, obras com acentuado caráter investigativo e cuidadosa análise de comportamentos sociais.

DICA RÁPIDA 1:
A riqueza literária do Realismo-Naturalismo no Brasil não se restringe à prosa de ficção. A dramaturgia também evolui e consolida a comédia de costumes como um gênero maior – na obra de França Júnior e Artur Azevedo, por exemplo.

Vale lembrar que o Realismo-Naturalismo brasileiro oferece amplo painel de uma época em que o país era monárquico, escravocrata, patriarcalista e passava por profundas mudanças socioeconômicas e culturais.

DICA RÁPIDA 2:
Muitos vestibulares tem cobrado conhecimentos sobre a obra de Machado de Assis e os temas problematizados pelo autor, como a própria vida e a literatura.

REALISMO: características

 Autores, Livros, Obras e Características.

Realismo - Obras e Autores


Realismo foi uma escola literária que combatia os ideais românticos. O surgimento ocorreu enquanto o mundo vivenciava o nascimento do socialismo e da segunda Revolução Industrial.

Realismo em Portugal teve como marco inicial a Questão Coimbrã (1865), quando se defrontam, de um lado, os jovens estudantes de Coimbra, atentos às novas idéias que vinham da França, Inglaterra e Alemanha e, de outro, os velhos românticos de Lisboa.
O Realismo foi inaugurado em 1881 no Brasil. Nesse ano duas obras se destacaram: O mulato, de Aluísio de Azevedo, e Memórias póstumas de Brás Cuba, de Machado de Assis.
CARACTERÍSTICAS:
O objetivismo aparece como negação do subjetivismo romântico; o universalismo ocupa o lugar do personalismo. O sentimentalismo cede terreno ao materialismo. O Realismo se preocupava apenas com o presente, com o contemporâneo.
Com o desenvolvimento das ciências, muitos autores foram influenciados no século XIX, principalmente os naturalistas, donde se pode falar em cientificismo nas obras desse período.
Os autores realistas são antimonárquicos e negam a burguesia.
Realismo é uma denominação genérica de uma escola literária que abrange as seguintes tendências:
Romance realista – Narrativa voltada para a análise psicológica e que critica a sociedade e partir do comportamento de determinados personagens, em geral, capitalistas. O romance realista tem caráter documental, sendo o retrato de uma época.
Romance naturalista - Marcada pela vigorosa análise social a partir de grupos humanos marginalizados, em que se valoriza o coletivo. O naturalismo apresenta romances experimentais.
AUTORES:
Machado de Assis – Se destacou como romancista realista. Apesar de ter escrito obras romancistas,  como RessurreiçãoA mão e a luvaHelena e Iaiá Garcia.
Algumas obras realistas de Machado de Assis: Memórias póstumas de Brás Cubas,Quincas Borba e Dom Casmurro.
Aluísio de Azevedo – Escreveu alguns romances românticos, os quais chamou de “comerciais”, pois eram os que mais vendiam. Mas suas maiores obras foram os romances naturalistas, como O mulatoCasa de pensão e O cortiço.

REALISMO NO BRASIL: Resumo

Na segunda metade do século XIX, o Brasil passava por diversas mudanças sociais, políticas e econômicas. Com o fim do tráfico negreiro e a abolição da escravatura, a mão de obra brasileira passou a ser de imigrantes europeus e os negros, consequentemente, foram marginalizados pela sociedade. Além dessas questões, somam-se ao período a queda da economia açucareira e a ascensão do café, a proclamação da república e a evolução industrial e tecnológica, que permitiu dentre outras coisas a construção da primeira estrada de ferro.
As questões pelas quais o País passava, interferiram em todos os campos da cultura, inclusive na literatura que reagiu contra as propostas românticas. Sendo assim, e sob influência do Positivismo, surgiu no Brasil o Realismo, que teve início oficial em 1881 com a publicação de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis. O movimento, contextualizado em um Brasil mais moderno, com ideias liberais e republicanas, deixou de lado a ficção e a novela para dar espaço à verdade - uma das principais diferenças em relação ao que vinha sendo produzido pelos escritores brasileiros. Os textos eram produzidos de maneira mais crítica, objetiva e participante, e os escritores realistas focavam em retratar a realidade com a fidelidade necessária à revelação da sua totalidade.

Raul Pompéia
O positivismo chegou no País por intermédio francês e foi uma corrente filosófica fundamentada na análise da realidade. Com isso, as produções literárias no Brasil passaram a se voltar à realidade brasileira, focando como cenários os centros urbanos, o trabalho e a rotina, e deixando de lado a natureza e a sua idealização. Nos textos de temática amorosa o sentimentalismo e o exagero saíram de cena, dando lugar para características como a ironia, o amor sem exaltações e o casamento para fins de ascensão social. No lugar dos heróis românticos, surgem pessoas comuns, com suas falhas e limitações.
Aluísio de Azevedo
No Brasil o maior expoente do Realismo foi Machado de Assis, mas Aluísio de Azevedo e Raul Pompéia também tiveram grande importância como representantes do movimento que dividia sua produção literária entre prosa e poesia. Machado de Assis contribuiu com grandes obras como “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, “Quincas Borba” e “Dom Casmurro”. Já Raul Pompéia e Aluízio de Azevedo receberam destaque com as publicações “O Ateneu” e “O Mulato”, respectivamente.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

ROMANTISMO NO BRASIL: NA POESIA

AS TRÊS FASES: AS CHAMADAS GERAÇÕES ROMÂNTICAS

1ª Geração:   NACIONALISTA ou INDIANISTA

Gonçalves de Magalhães e Gonçalves Dias: Exaltação da natureza, excesso de sentimentalismo, amor indianista, ufanismo [exaltação da Pátria].

2ª Geração:  ULTRA-ROMÂNTICA ou "MAL DO SÉCULO"

Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Junqueira Freire e Fagundes Varela:
Egocentrismo, sentimentalismo exagerado, morte, tristeza, solidão, tédio, melancolia, subjetivismo, idealização da mulher.

3ª Geração:    CONDOREIRA ou SOCIAL
Castro Alves: Sentimentos liberais e abolicionistas


INDIANISMO: Uma das formas mais significativas do nacionalismo romântico.
O índio é um ser idealizado [nobre, valoroso, fiel], apesar disso demonstra a valorização das origens da nacionalidade.

MAL DO SÉCULO: Voltando-se inteiramente para dentro de si mesmos, esses poetas expressaram em seus versos pessimistas um profundo desencanto pela vida. Muitos marcados pela tuberculose, mal que deu nome à fase.

CONDOREIRISMO:  Poesia social e libertária que reflete as lutas internas da Segunda metade do reinado de D. Pedro II.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

PASÁRGADA: A ARTE DA FELICIDADE

A felicidade não depende do que acontece ao nosso redor
 e sim do que acontece dentro de nós;
a felicidade se mede pelo espírito
com o qual nós enfrentamos
os problemas da vida.

A felicidade é um assunto de valentia;
é tão fácil sentir-se deprimido e desesperado.
A felicidade é um estado de ânimo;
não somos felizes
enquanto não decidimos sê-lo.

A felicidade não consiste em fazer sempre o que desejamos,
mas sim em querer tudo o que fazemos.

A felicidade nasce ao colocarmos nossos corações em nosso trabalho
e ao fazê-lo com alegria e entusiamo.

A felicidade não tem receitas; 
cada um cozinha com o tempero da sua própria meditação.

A felicidade não é uma pousada no caminho;
mas uma forma de caminhar pela vida.

[Roger Luján].

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

SUPERÁVIT ou SUPERAVIT?

 Por que o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (PVOLP) da Academia Brasileira de Letras (ACL) coloca acento gráfico na palavra superávit sendo que não há regra que o justifique? Agnaldo Martino, São Paulo, SP

Vamos tratar junto de déficit hábitat, que configuram a mesma questão. O PVOLP editado em 1999 pela ACL traz os dois registros: superavit - o próprio latim, e superávit, “do latim superavit”. Isso já nos faculta usar uma ou outra forma. O dicionário Houaiss só registra o latim nos três casos. O Aurélio apresenta as formas acentuadas, além do latim habitat. A imprensa prefere a grafia com o acento, porque facilita a leitura. Aliás, a acentuação gráfica nos três vocábulos tem o mero papel de informar a tonicidade. Senão vejamos:

Dé – fi – cit

Há – bi – tat

Su – pe – rá – vit


Como se observa, não é possível afirmar que o acento nessas palavras se justifica porque elas são proparoxítonas, como assim as denomina Napoleão Mendes de Almeida no seu Dicionário de Questões Vernáculas (1981: 305).  Se as duas primeiras são proparoxítonas, a última não pode ser. 

PLURAL: superávits, déficits e hábitats

Em Portugal resolveu-se a pendenga de outra maneira: a grafia de deficit é défice. E superávit? Fui informada de que não é termo vulgarmente usado – preferem “excedente”. Mas poderia e poderá ser aportuguesado como “superávite”, não?

De minha parte, ainda prefiro as formas acentuadas que estou acostumada a ver em revistas e jornais, mesmo que não haja coerência nessa grafia!
[Maria Tereza de Queiroz Piacentini].

domingo, 7 de dezembro de 2014

ROMANTISMO NO BRASIL: Características



O BCCCV informa:

O Romantismo no Brasil teve início com a publicação do Livro SUSPIROS POÉTICOS E SAUDADES, de Gonçalves de Magalhães, em 1836.

Ele veio para RENOVAR os padrões literários.

Necessidade de criar uma cultura brasileira identificada com suas próprias raízes históricas, linguísticas e culturais.

Reação à tradição clássica.

Movimento anticolunista e antilusitano, ou seja, rejeição à Literatura produzida na época colonial, em virtude do apego dessa produção aos modelos portugueses.

CARACTERÍSTICAS:

Podem-se apontar, no amplo e diversificado movimento romântico, algumas tendências básicas:

1. A exaltação dos sentimentos pessoais, muitas vezes até autopiedade.
2. Exaltação de seu "eu" - subjetivismo.
3. A expressão dos estados da alma, das paixões e emoções, da fé, dos ideais religiosos.
4. Apoiam-se em valores nacionais e populares.
5. Desejo de liberdade, de igualdade e de reformas sociais.
6. Valorização da Natureza, que é vista como exemplo de manifestação do Poder de Deus e como refúgio acolhedor para o homem que foge dos vícios e corrupções da vida em sociedade.
7. Em alguns casos, fuga da realidade através da arte [direção histórica e nacionalista ou direção idílica e saudosista].

A linguagem sofreu transformações: em lugar da bem cuidada sintaxe clássica e das composições de metro fixo, os românticos preferiram uma linguagem mais coloquial, comunicativa e simples, criando ritmos novos e variando as formas métricas.
Essa liberdade de expressão é uma das características típicas do Romantismo e constitui um aspecto importante para a evolução da literatura ocidental.

O espírito de renovação linguística é uma contribuição importante do Romantismo e foi retomado no século XX, pelos Modernistas.