Estudo da Língua Portuguesa com PREPARAÇÃO VESTIBULAR e outros CONCURSOS. O BCCCV - [Batalhão de Cidadania e Civilidade Contra a Violência] existe para trazer aos jovens uma forma prática e dinâmica de estudar a Língua Pátria: Amando-a; USANDO-A CORRETAMENTE NA ESCRITA E NA FALA - tudo sustentavelmente. RECICLANDO-A nos seus cinco níveis de Linguagem.
terça-feira, 14 de setembro de 2021
MISTIFICAR ou MITIFICAR/ DESMITIFICAR ou DESMISTIFICAR?
sexta-feira, 18 de junho de 2021
LATINISMOS: AD HOC, SINE QUA NON, IPSO FACTO
--- O que significa ipso facto? G. B. L., Curitiba/PR
A expressão latina ipso facto quer dizer “pelo próprio fato”, como resultado da evidência do fato, como sua consequência natural; ela é empregada, então, com o sentido de “por isso mesmo, consequentemente, por via de consequência, naturalmente”:
Ao sucumbir a este sensacionalismo, privilegiando os interesses comerciais em detrimento de um conteúdo jornalístico crítico e, ipso facto, desrespeitando a inteligência do leitor, a Folha macula definitivamente a sua reputação.
Processados, o juiz de direito acolheu-os, declarando, ipso facto, nula a execução.
Não sendo a renovação da licença expressamente requerida pelo contribuinte, inocorre o fato gerador da taxa. Ipso facto, não há como se falar em legalidade de sua exigência na renovação anual.
Você pode frequentar as aulas, mas isso não quer dizer que seja aprovado e ipso facto receba os créditos da disciplina.
--- Gostaria de saber o significado da expressão sine qua non; qual a origem e qual seu uso. E. A. A., Laranjeiras do Sul/PR
A tradução literal de sine qua non é “sem a qual não”, a indicar que uma condição, fator, cláusula ou circunstância é essencial, indispensável para a realização de determinado ato, evento ou circunstância:
A capacidade de conter e integrar os impulsos de ódio por meio de tendências amorosas é condição sine qua non para tornar possíveis quatro satisfações indispensáveis ao viver: a liberdade, a verdade, a beleza e a justiça.
Na expressão latina original já se encontra a palavra “condição” – conditio sine qua non. Neste caso pode também ser usada sem a partícula “non”:
A quitação das dívidas anteriores foi conditio sine qua non para que o grupo empresarial fizesse novos investimentos.
O equilíbrio de deveres e obrigações é conditio sine qua da convivência internacional.
--- O que quer dizer um “secretário ad hoc”? Viviana Silva, Aracaju/SE
A locução latina ad hoc significa “para o momento”. Ela é usada, então, com o intuito de informar que algo (um fato, uma função, um cargo, uma pessoa) é provisório, isto é, foi criado rapidamente, para um propósito específico e momentâneo:
Em vista da ausência do secretário Paulo Lemos, a nossa gerente de Recursos Humanos vai elaborar a ata na qualidade de secretária ad hoc.
Tentando entender as causas da inadequação das instituições monetárias e fiscais brasileiras, afirma Franco que elas resultam do fato de terem se desenvolvido para serem mecanismos executores de prioridades nacionais ad hoc sob o controle de regras decisórias autoritárias.
* Maria Tereza de Queiroz Piacentini
PREFIXOS e suas regras:
PREFIXAR, PRÉ-FIXAR E CASOS AFINS:
--- Qual a regra de utilização do prefixo pre em palavras como pré-história e predestinação? A. L. C., Bom Jesus do Itabapoana/RJ
A regra (estabelecida em 1943) para o uso do acento agudo em tais casos – pré ou pre – é a pronúncia aberta ou fechada do E. Isso significa que, quando o prefixo é tônico – PRÉ –, ele se separa da palavra seguinte por hífen. Quando átono – PRE –, aglutina-se ao segundo elemento. O Acordo Ortográfico (2009) assim se expressa: [usa-se o hífen] “d) Nas formações com os prefixos tônicos acentuados graficamente pós-, pré- e pró-, quando o segundo elemento tem vida à parte (ao contrário do que acontece com as correspondentes formas átonas que se aglutinam com o elemento seguinte): pós-graduação, pós-tônicos (mas pospor); pré-escolar, pré-natal (mas prever); pró-africano, pró-europeu (mas promover)” – Base XVI, 1º.
Assim, de um lado temos pré-história, pré-estreia, pré-pago, pré-datado, pré-moldar, pré-habilitar, pré-natal, pré-fabricado, pré-molar, pré-adolescente, pré-cozido, pré-olímpico, pré-coma – para dar mais alguns exemplos.
De outro lado, encontramos predestinação, predispor, predisposição, precogitação, prejulgar, predizer, predominar, pressupor, preordenar etc.
Um problema é quando não se distingue facilmente entre e aberto e e fechado, como em preanunciar, preaquecer ou precitado (“citado anteriormente”). Não se pode esquecer que em muitas regiões do Brasil há uma predominância do timbre aberto, o que leva por conseguinte ao pré tônico. Muitos brasileiros, ou a maioria, falam por exemplo “pré-estabelecer” e “pré-condição”, mas a grafia oficial é “preestabelecer” e “precondição”.
Em virtude dessa ambivalência é que o VOLP - Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa 2009 já registra duas grafias em alguns casos: pré-eleito, pré-eleição e preeleito, preeleição; pré-embrião e preembrião; pré-demarcar, pré-demarcação e predemarcar, predermarcação.
Sugiro que o leitor anote quatro casos, bastante comuns, de palavras habitualmente pronunciadas com som aberto mas escritas sem hífen e portanto sem acento gráfico:
O ajuste foi aceito de acordo com as condições preestabelecidas.
Os fatos preexistentes não nos permitem mudar de rota.
Está sendo minuciosamente predeterminado cada passo do plano.
Serão predefinidos os termos em que faremos a negociação.
Outras duas palavras que comportam um comentário à parte são pré-fixado e prefixado. Quando se trata de “colocar prefixo em”, não há dúvida de que só se usa prefixar (ou aprefixar):
Para se formar um novo verbo em português, basta prefixar uma forma primitiva.
Já no âmbito da economia, a forma que apresenta mais lógica e clareza, por trazer a ideia de prazo fixado com antecedência e por ser efetivamente pronunciada com timbre aberto, é pré-fixar, que ainda se opõe melhor a pós-fixar e a pós-datar. A questão é que nem todos os dicionários brasileiros registram a forma com hífen, encontrada entretanto no Dicionário de Usos do Português do Brasil (Francisco S. Borba, 2002):
Títulos de renda pré-fixada.
Você faz uma transação cuja margem de lucro são os juros e correção monetária pré-fixada.
Há outro caso parecido: preconceito em alguns casos específicos escreve-se pré-conceito, para fazer a distinção entre a intolerância, ou “atitude, sentimento ou parecer insensato, especialmente de natureza hostil, assumido em consequência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio”, e o conceito formado a priori, seja favorável ou não.
* Maria Tereza de Queiroz Piacentini
sexta-feira, 21 de maio de 2021
PORÉM: Conjunção Adversativa (USO)
--- Os manuais de redação afirmam que não se pode iniciar oração com porém. Por quê? Solange Loos, Curitiba/PR
* Maria Tereza de Queiroz Piacentini
REGÊNCIA e outros:
-- A cerveja que desce redondo ou redonda? C. B. M., Londrina/PR
* Maria Tereza de Queiroz Piacentini
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021
GERÚNDIO SEM VÍRGULA (2)
Vamos encerrar hoje as lições sobre o uso do gerúndio em relação à vírgula. Vimos em duas colunas precedentes que se coloca a vírgula antes do gerúndio quando ele equivale a uma oração coordenativa iniciada pela conjunção “e”; e não se coloca a vírgula para separar as orações reduzidas de gerúndio adverbiais de finalidade ou de modo quando vêm depois da oração principal.
O caso a ser tratado agora se refere ao uso do gerúndio sem a vírgula quando este equivale a uma oração adjetiva restritiva. É bom lembrar que mesmo a oração adjetiva restritiva desenvolvida – introduzida pelo pronome relativo “que” em vez do gerúndio – jamais vem separada por vírgula.
Seguem alguns exemplos de construção frasal contendo subordinadas adjetivas restritivas. Em primeiro lugar, a oração reduzida de gerúndio; em segundo, a oração desenvolvida:
Foi interessante ver um palhaço engolindo fogo.
Todo lojista, seja proprietário ou locatário, tem o direito de exigir documento comprovando as despesas efetuadas.
Foi acusado de prática de nepotismo envolvendo a filha.
Disse que devemos redigir um texto alertando sobre a prevenção de doenças.
Há torcedor do Figueirense achando que o Guga tem perdido algumas partidas por causa das cores [branca e azul] do seu uniforme.
Que sirva de exemplo a decisão do juiz gaúcho condicionando a expedição da carta ao pagamento do valor devido.
As ações envolvendo a unidade especial de combate ao tráfico não foram divulgadas.
São feitas muitas compras sem que o comprador tenha recibo comprovando o pagamento realizado.
Pessoas dirigindo em alta velocidade naquele local terão a carteira apreendida.
Levamos à apreciação da Câmara projeto de lei proibindo a importação de alho.
Levamos à apreciação da Câmara projeto de lei que proíbe a importação de alho.
A maioria das pessoas que tem a prática da escrita usa corretamente esse tipo de frase sem precisar fazer a análise que proponho. Mas como esse conhecimento é importante para revisores e professores de língua portuguesa e não costuma aparecer nos compêndios e livros de gramática, resolvi abordá-lo integralmente, até como forma de consulta para outras pessoas igualmente interessadas e curiosas.
* Maria Tereza de Queiroz Piacentini
quinta-feira, 28 de janeiro de 2021
GRAFIA: Com hífen ou sem hífen?
--- Hora extra possui hífen ou não? N. M., Rio de Janeiro/RJ
* Maria Tereza de Queiroz Piacentini
REGÊNCIA:
TENDÊNCIA + VERBO VIVER:
-- Minha dúvida diz respeito ao uso da preposição de em situações como “a tendência é de”. Tenho encontrado frases ora com a preposição, ora sem, como exemplifico a seguir. Maria Laís Pestana, São Paulo/SP
* Maria Tereza de Queiroz Piacentini
quarta-feira, 13 de janeiro de 2021
GERÚNDIO: (Com vírgula e sem vírgula):
--- Gostaria de saber em quais casos, efetivamente, deve-se empregar o gerúndio. Rosemary Toffoli, São Paulo/SP
É impossível ver todos os tipos de emprego numa só coluna, Rosemary. Mas há duas semanas tivemos a oportunidade de analisar e estudar um caso, aquele em que o gerúndio precedido de vírgula dá ideia de adição em substituição ao conectivo “e”. Repito um exemplo: Ligou para o celular de D. Marisa, no sábado, lamentando o sequestro. No domingo voltou a falar com Lula, marcando uma conversa pessoal. Isso equivaleria a dizer: “Ligou para o celular de D. Marisa, no sábado, e lamentou o sequestro. No domingo voltou a falar com Lula e marcou uma conversa pessoal”.
Vejamos agora o uso do gerúndio sozinho (sem verbo auxiliar) numa situação de oração reduzida adverbial de modo depois da oração principal. Neste caso específico, quando o gerúndio denota MEIO, MODO ou INSTRUMENTO – respondendo, portanto, à pergunta como? –, não se usa a vírgula, pois então se trata de uma oração subordinada na sua ordem normal, que é depois da principal. [É importante observar que no parágrafo anterior se falou de gerúndio que une orações coordenadas.] Eis alguns exemplos de orações reduzidas modais de gerúndio (sem a vírgula, portanto):
O presidente subiu a rampa correndo.
A cigarra passou a vida cantando.
Mandou pintar o edifício empregando mão de obra local.
Dewey já comentava a importância de “aprender fazendo”.
A criança constrói sua cultura brincando.
Finda a sessão, a ré saiu chorando da sala.
Esse fato contribui ainda mais para afastá-lo da sua missão de eliminar conflitos realizando a justiça.
O Direito deve retomar o seu papel de instrumento de ordenação respondendo às convenções morais.
Em 1831 um empresário decidiu minorar a falta de transportes públicos de Nova York encomendando um veículo para 12 pessoas a um fabricante de carruagens.
Em Portugal, é bom que se diga, o gerúndio é desprezado nesse tipo de frase. Lá se costuma empregar a oração reduzida de infinitivo, que nós brasileiros também usamos (mas não tanto): Subiu a rampa a correr / passou a vida a cantar / a criança constrói sua cultura a brincar / saiu da sala a chorar e assim por diante.
Podemos afirmar também que a ausência da vírgula diante do gerúndio (ou oração gerundial) é a regra em qualquer tipo de oração adverbial na sua ordem habitual, isto é, depois da oração principal, não anteposta nem intercalada. Constata-se esse uso mais frequentemente quando o gerúndio equivale a uma oração adverbial final, ou seja, aquela que exprime uma finalidade (poderíamos dizer que responde à pergunta para quê?):
Telefonou para sua mulher dizendo que ia jantar fora.
O BC emitiu nota oficial desmentindo os boatos especulativos a respeito dos juros.
Ele renunciou objetivando facilitar as investigações.
A imobiliária deve enviar e-mail ao locador avisando-o de que fez despesas em seu favor.
* Maria Tereza de Queiroz Piacentini
quinta-feira, 7 de janeiro de 2021
PROATIVO ou PRO-ATIVO? INSERTO/INCERTO:
PROATIVO, INSERTO, DILAÇÃO E PATROL
--- Como devemos escrever: proativo ou pró-ativo? Alexandra Pontes, Salvador/BA
Escrevia-se apenas sem hífen: proativo; mas a edição de 2009 do VOLP (Vocabulário Ortográfico, oficial) também registra pró-ativo. O termo vem do inglês “pro-active/proactive” e se refere a algo ou alguém que antecipa futuros problemas, necessidades ou mudanças, que seja capaz de mudar eventos em vez de reagir a eles, fazendo com que as coisas aconteçam; é ser ágil e competente, portanto. Exemplos:
Estamos sendo desafiados a assumir uma postura proativa frente às novas tecnologias.
A frequente lentidão no processo de implantação dos centros regionais de informática obriga-os a estabelecer uma dinâmica proativa na busca de parceria com empresas que têm recursos para investir em programas sociais.
O adjetivo proativo também pode ser transformado em advérbio:
O diretor da empresa reagiu proativamente em relação às demandas trabalhistas de seus empregados.
--- Gostaria de saber a forma correta de escrever: baixela em aço inox ou baixela de aço inox? Mônica Tagliari, São Paulo/SP
Diz-se “baixela de aço inox”, assim como se diz panela de ferro, colher de madeira, anel de ouro, pois “de” é a preposição que se usa para exprimir a qualidade de um ser.
--- Qual a diferença entre inserto/incerto e dilação/dilatação? E.G.O., Porto Velho/RO
Inserto = inserido. Incerto = duvidoso. Exemplo:
Duas das sugestões insertas nos anais do simpósio foram trazidas pelo nosso grupo.
Dilação = prorrogação, adiamento; o mesmo que dilatação:
Pedimos a dilação do prazo para que pudéssemos reunir o dinheiro necessário.
O termo dilatação também se refere, por outro lado, ao aumento de dimensões ou de volume, ampliação, propagação.
--- A palavra certa é: patrol ou patrola? Itatiana Leite dos Santos, Goiânia/GO
Os dicionários registram patrol e patrola como palavras sinônimas e que têm o mesmo significado de niveladora: “máquina de terraplenagem munida de lâmina e utilizada para regularizar o terreno, abrir valetas e executar pequenas escavações, podendo ser rebocada ou de autopropulsão; patrol, patrola, plaina, aplanadora”.
* Maria Tereza de Queiroz Piacentini
sexta-feira, 4 de dezembro de 2020
MAIÚSCULA EM NOMES COMPOSTOS:
Oswaldo Onofre, de Recife/PE, solicita orientação para o dilema das iniciais maiúsculas em palavras compostas do tipo Pró-Reitoria (ou Pró-reitoria?). E Márcio S. Fontes, de Florianópolis/SC, pergunta se deve escrever Decreto-lei ou Decreto-Lei.
Como já disse outras vezes, o emprego das iniciais maiúsculas não ficou claro no Formulário ortográfico de 1943 (oficial). Não se tratou ali (e tampouco no Acordo Ortográfico 2009) das iniciais em nomes compostos. O que tem servido de guia para os gramáticos é o exemplo de Capitão-de-Mar-e-Guerra, que aparece na Observação do item 14° e que faz supor devam todos os elementos de um nome próprio iniciar com caixa-alta. Lá no 12°, porém, na exemplificação de documentos oficiais, consta: “A lei de 13 de maio, o Decreto-lei nº 292, o Decreto nº 20.108 [...]”, ao que Celso Luft objeta em nota de rodapé no seu Grande Manual de Ortografia Globo (1985:260): “Nas composições hifenizadas, os elementos gozam de independência gráfica: Decreto-Lei, com L maiúsculo”.
O bom senso nos leva à seguinte orientação: usar todas as iniciais maiúsculas quando a palavra composta faz parte de um nome próprio, qual seja, título de obra, nome de repartição, escola, instituição, cargo ou evento, datas ou fatos históricos. Vejamos alguns exemplos:
Marcaram entrevista com o professor doutor Ari na Pró-Reitoria de Ensino e Pesquisa.
A homenagem foi feita pela Organização Pan-Americana de Saúde, braço da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Representantes de governo e do setor agropecuário reuniram-se em Santiago do Chile para a 30ª Reunião da Comissão Sul-Americana de Luta Contra a Febre Aftosa.
Soros virou o único beneficiário daquilo que os ingleses chamaram de Quarta-Feira Negra.
Como periódico do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Estado de Santa Catarina, a Revista Linhas procura disseminar conhecimento consistente e socialmente relevante.
Quando é que se pode ver, então, a segunda palavra desses compostos em inicial minúscula? Quando não fazem parte de um nome próprio e a primeira palavra tem de ser forçosamente grafada com maiúscula, caso do início de frase:
Couve-flor faz bem à saúde.
Pós-graduação agora? Nem pensar.
Quarta-feira estaremos aí.
Sul-americanos são discriminados na fronteira.
E o decreto-lei, como é que fica? A gosto do redator: se considerar que o pessoal de 1943 cometeu um engano (entre os vários detectados) nas suas instruções, e além disso acha mais estético seguir o padrão acima explicitado, escreverá Decreto-Lei. Se entender que aí não se trata exatamente de um “nome próprio”, mas que o D maiúsculo é mero destaque (o que não deixa de ser um bom argumento), optará por Decreto-lei.
* Maria Tereza de Queiroz Piacentini
terça-feira, 1 de dezembro de 2020
CONCORDÂNCIAS ESPECIAIS E CARGOS FEMININOS
Sylvio Bertoli quer saber se não cabe também o verbo no plural nas frases abaixo, que foram objeto da coluna “Falando de números e numerais” publicada há seis semanas (NTL 155). Dizia eu então:
Há uma concordância especial para o verbo ser quando o sujeito indica preço, peso, porção, quantidade, medida. Neste caso o verbo passa a concordar com as expressões muito, pouco, o suficiente, o mínimo, demais etc., permanecendo então na terceira pessoa do singular:
Sete anos de noivado foi muito.
Dez metros de fita é pouquíssimo.
Cem reais é o suficiente.
Seis é o mínimo desejável.
Um é pouco, dois é bom, três é demais.
Todavia, existe uma concordância do verbo ser no plural. Isso se dá quando o substantivo, núcleo do sujeito, está determinado por um artigo. Veja então a diferença:
Os sete anos de noivado de Abel e Marta foram demais, foram um absurdo.
Os seis elementos são desejáveis.
Os dez metros de fita que comprei foram insuficientes.
Os cem reais que me deste foram suficientes.
--- O que me leva a este contato é uma dúvida que me surgiu após ler uma edição do jornal A Gazeta. A manchete principal saiu assim: Quem poderão ser os candidatos locais nas próximas eleições? Gostaria de saber se está correto este título e por quê. Fernando.
A manchete está correta, embora chegue a soar estranha, pois não é muito comum a utilização do verbo ser com um verbo auxiliar, numa locução verbal [poderão ser], junto do pronome interrogativo quem. Normalmente este pronome leva o verbo para o singular:
Quem será?
Quem sabe quem foi o autor da manchete?
Quem fez isso?
Todavia, em orações com o verbo ser, o pronome quem pode servir de predicativo a um sujeito no plural. Isso quer dizer que o verbo vai fazer a concordância com o sujeito que estiver no plural:
Quem são eles? Quem somos nós?
Quem serão os candidatos locais nas próximas eleições?
Quem foram os malucos que atacaram o presidente?
"Sabem, acaso, os vultos, quem vão sendo?" (Cecília Meireles)
CONCORDÂNCIA NO FEMININO
--- Queira esclarecer: a gerente/a auxiliar administrativo ou a gerente/a auxiliar administrativa. Luiz Gonzaga Soares, Rio de Janeiro/RJ
Trata-se agora da flexão do adjetivo que acompanha os substantivos comuns-de-dois, ou comuns de dois gêneros. “Administrativo” é um adjetivo, variável em gênero e número. Consequentemente, deve concordar com o substantivo feminino que se refere a uma mulher: a gerente administrativa, a auxiliar administrativa. Dizer *a gerente administrativo seria tão anômalo quanto *a juíza adjunto ou *a diretora-secretário. Outros bons exemplos de cargos femininos:
a secretária executiva
a secretária adjunta
a presidente adjunta
a chefe auxiliar
a assessora especial
a consultora geral
a juíza substituta
a gerente financeira
a auxiliar técnica
a técnica administrativa
a diretora-secretária
a diretora-presidente
a ministra-chefe.
Enfim, se uma mulher ocupa o cargo de prefeito ou de técnico judiciário, por exemplo, ela se torna prefeita, ou técnica judiciária, e assim por diante.
* Maria Tereza de Queiroz Piacentini
sexta-feira, 20 de novembro de 2020
LOCUÇÃO PREPOSITIVA:
EM QUE PESE A/À + SOLUÇÃO DE CONTINUIDADE
Roberto de Carvalho, de Salvador/BA, costumava escrever assim: “em que pese o fato, em que pesem as circunstâncias”, mas surpreendeu-se ao encontrar numa publicação a locução prepositiva: “em que pese às dificuldades e em que pese ao temporal”.
Assim, “sem solução de continuidade” seria o mesmo que “sem interrupção da continuidade”, o que quer dizer “sem descontinuidade”. Quando quer se expressar a vontade de que não haja interrupção de um trabalho, pode-se escrever: “Esperamos que não haja solução de continuidade” .
* Maria Tereza de Queiroz Piacentini












