quarta-feira, 28 de setembro de 2016

FIGURAS DE LINGUAGEM:

As figuras de linguagem podem ser classificadas em quatro grandes grupos, e a divisão se dá em relação a aspectos fonológicos, semânticos ou sintáticos das palavras em que o recurso foi utilizado. Elas podem ser figuras de som, de palavra, de pensamento ou de construção.


Figuras de som

Conhecidas também como figuras de harmonia, estão intimamente relacionadas à fonologia. A sonoridade das palavras, sílabas ou fonemas são usadas de uma forma peculiar para criar um sentido expressivo único, seja construindo um ritmo na frase, imitando sons de animais ou máquinas, ou ainda relacionando palavras com sonoridade parecida. São figuras de som:
  • Aliteração – Repetição da mesma consoante ou de outra que tenha som parecido.
    Exemplo: “Três tigres tristes comeram três pratos de trigo”
  • Assonância – Repetição de uma mesma vogal, recurso bastante usado em versos.
    Exemplo: “Pólo sul, meu azul / Luz do sentimento nu” (Djavan – Linha do Equador)
  • Paronomásia – Repetição de sons semelhantes em diferentes palavras.
    Exemplo: “Berro pelo aterro, pelo desterro/Berro por seu berro, pelo seu erro” (Caetano Veloso – Qualquer Coisa)
  • Onomatopeia – Conjunto de sílabas ou letras que reproduzem um som natural ou produzido.
    Exemplos: CABUM! (Explosão) Tic Tac (Ponteiros de relógio)

Figuras de Palavra

Às vezes é possível usar uma palavra ou expressão com o significado de uma outra. Este empréstimo de significado torna-se possível devido a alguma semelhança existente entre os dois termos, que é reforçada pela figura de linguagem, produzindo uma sentença mais expressiva.
  • Comparação – Aproximação do significado de dois ou mais elementos com uso de termos comparativos: “como” , “assim como”, “tal que”, “que nem”, entre outros.
    Exemplo: Linda como uma flor.
  • Metáfora – Substituição de um termo por outro devido a uma semelhança subjetiva entre os dois.
    Exemplo: Mário é uma porta! Nunca vi tanta estupidez.
  • Metonímia – Substituição de um termo por outro devido a uma semelhança ou relação real entre os dois.
    Exemplo: Ele leu Ariano Suassuna todo! (A obra de Ariano Suassuna)
  • Sinédoque – Substituições de termos havendo uma ampliação ou diminuição do sentido relacionado com a quantidade.
    Exemplo: O baiano é preguiçoso (Os baianos/ As pessoas da Bahia)
  • Catacrese – Metáforas que já se tornaram habituais.
    Exemplos: Perna da mesa; Cabeça de alho.
  • Sinestesia – Combinação de sensações físicas (tato, audição, paladar, visão, olfato) na mesma expressão.
    Exemplo: Sua voz era áspera e azeda.
  • Antonomásia – Reconhecimento de uma pessoa por uma característica ou fato. Conhecido como apelido.
    Exemplo: O poeta dos escravos era um bom poeta. (Castro Alves)

Figuras de Pensamento

As figuras de pensamento também estão relacionadas à estrutura semântica da palavra, e são utilizadas para causar impacto ou contradição no receptor da mensagem. Caracterizam-se pela aproximação de termos opostos, repetição de uma ideia em diferentes palavras e a utilização estratégica de palavras para representar uma ideia contrária.
  • Antítese – Aproximação de palavras ou expressões com significados opostos.
    Exemplos: Adoro o verão, detesto o inverno.
  • Apóstrofe – Invocação de uma entidade ou pessoa, presente ou não, utilizando vocativo.
    Exemplo: Pai! Apareça para mim!
  • Paradoxo – Ou oximoro é a fusão de dois termos ou expressões excludentes relacionando-se ao mesmo termo.
    Exemplo: Escute o som do silêncio.
  • Eufemismo – Emprego de uma palavra para amenizar algo penoso, desagradável etc.
    Exemplo: Ele está no sono eterno. (Morto)
  • Gradação – Sequência de expressões ou palavras que intensificam uma única ideia.
    Exemplo: Maior, menor, mediano, não me importo com o tamanho.
  • Hipérbole – Exagero explícito de uma ideia.
    Exemplo: Já te dei um milhão de motivos.
  • Ironia – Ocorre quando as palavras e o sentido que elas querem expressar se contradizem. Normalmente isso acontece de forma depreciativa ou sarcástica.
    Exemplo: Que coisa linda vocês dois brigando!
  • Prosopopeia: Personificação, animação ou humanização de um objeto inanimado ou imaginário.
    Exemplo: A cama está me chamando.
  • Perífrase – Uso de termos que se relacionam a um objeto, situação ou local que não de tal forma que conseguem substituir o próprio nome daquilo a que se refere a sentença.
    Exemplo: Eu nasci no país do futebol (Brasil).

Figuras de Construção

São as figuras de linguagem ligadas à estrutura da frase, também conhecidas como figuras de criação. Se relacionam com a parte sintática da frase. Omissões, repetições e alterações nas ordens e concordâncias das frases são as características das figuras de linguagem deste tipo. A mudança da estrutura sintática que corresponde à norma culta é o resumo das figuras de sintaxe.
  • Assíndeto – Ocorre quando há uma sequência de termos separados por vírgulas, e inclusive os possíveis conectivos são substituídos por ela.
    Exemplo: Cheguei, pedi, paguei, bebi tudo o que pude.
  • Elipse – Omissão de um termo ou oração facilmente identificável.
    Exemplo: (Ele) Falou besteira, estava nervoso,(de) cabeça quente.
  • Zeugma – Omissão de um termo que seria repetido.
    Exemplo: Atravessei o oceano e o deserto também. (omissão de “atravessei”)
  • Anáfora – Repetição proposital de um termo ou expressão no início de uma frase ou verso.
    Exemplo: Fui à cidade grande. Fui a lugares jamais vistos.
  • Pleonasmo – Repetição de uma mesma ideia. Redundância.
    Exemplos: Subir para cima. Ver com os olhos.
  • Polissíndeto – Repetição proposital e enfática de conjunções.
    Exemplo – Olho e pé e mão e cabelo e unhas e dentes.
  • Anástrofe – Inversão simples de palavras vizinhas.
  • Exemplo: Desesperado estou, futuro não vejo. (Estou desesperado, não vejo futuro)
  • Hipérbato – Inversão completa de elementos da frase.
    Exemplo: Contra a correnteza, os salmões nadam. (Os salmões nadam contra a correnteza)
  • Sínquise – Inversão exagerada de elementos da frase.
    Exemplo: A ponte se estende pelo vale, de madeira.
  • Hipálage – Atribuição de um adjetivo relacionado a um objeto atribuído a outro em uma mesma frase.
    Exemplo: As espadas cansadas dos soldados. (na verdade, são os soldados que estão cansados)
  • Anacoluto – Interrupção da estrutura sintática de uma oração seguida de outra expressão complementar.
    Exemplo – Esta televisão, sempre que chego, está ligada.
  • Silepse – Concordância ideológica. As palavras concordam com suas ideias, e não com gênero e número expressos.
    Exemplo: São paulo é linda. (São paulo = A cidade de)

REGRAS DAS PALAVRAS FORMADAS COM TRANS:

--- Por que na palavra trânsito o s tem som de z e não de ss, como em cansado? F. G., Belo Horizonte/MG

Temos aqui dois casos: a regra genérica e a específica das palavras formadas com trans.
I) O S depois de N (consoante sonora) fica surdo, isto é, com som de S, como em
              cansado
              manso
              tansagem
II) No caso das palavras iniciadas por trans, há duas pronúncias:
a) com som de Z (sonoro), como em
              transe
              trânsito
              transigir
              transação
              transatlântico
b) com som de S (surdo), como em
              transexual
              transubstanciação.
Explicação: como trans é prefixo terminado em s, este fica com som de z antes de vogal, como em II.a, mas valerá por dois SS quando o elemento posposto tiver um inicial na origem (s etimológico), que desaparece diante do s já existente no prefixo, como em II.b. Assim, a palavra transexual é a junção de tranS + Sexual; transubstanciação, tranS + Substanciação.

Maria Tereza de Queiroz Piacentini

PLURAL de PÔR DE SOL:


RAPIDINHA DE PORTUGUÊS:


--- Qual o plural de pôr do sol? Queria dizer que os "pôr do sol" da primavera são os mais bonitos. Roberta Braga, São Paulo/SP
O plural de pôr do sol (sem hífen a partir do Acordo Ortográfico 2009) é pores do sol
Os pores do sol da primavera são os mais bonitos.

FELIZ ANO NOVO ou ANO-NOVO?

--- Estou com dúvida se escrevo Ano Novo com ou sem hífen. Ana Maria, Brasília/DF



Existem as duas grafias. 

Sem hífen quer dizer exatamente um novo período de 12 meses, o ano que se inicia.

Com hífen designa apenas a passagem de ano, o ano-bom ou réveillon. Um exemplo de cada: 
 
Ao discursar no início de janeiro, o prefeito apontou suas prioridades para o ano novo: educação, saúde e pavimentação de estradas.
 
Enquanto a maioria festeja o ano-novo, alguns abnegados trabalham pela comunidade. 
 
Enfim, pode-se desejar um ano-novo festivo e ao mesmo tempo um feliz e próspero ano novo.

-Maria Tereza de Queiroz Piacentini-

sábado, 24 de setembro de 2016

TACHAR # TAXAR:



Tachar deriva de tacha, substantivo que vem do francês tache e significa mancha, nódoa ou, figurativamente, defeito moral (mancha espiritual). Daí que o verbo tachar tem o sentido de “pôr mancha ou defeito em; censurar, acusar de”. É um verbo que só se emprega em sentido negativo, para indicar as más qualidades de alguém ou de alguma coisa:
O deputado criticou também a oposição, tachando-a de indecisa quanto à emenda proposta pelo presidente da República.
O verbo taxar significa “cobrar tributos, fixar o preço, lançar um imposto sobre; impor limites, fixar uma quantia”. Está ligado ataxa (imposto, tributo). 
O governo não pretende taxar o preço do álcool combustível.
A movimentação financeira será taxada novamente, dizem.
É esse o uso tradicionalmente correto. Todavia, os dicionários estão registrando que se pode taxar de boas ou más qualidades as pessoas e as coisas. Vejamos a opinião do gramático e linguista Celso Pedro Luft (No Mundo das Palavras 210, Correio do Povo, s/d): 
Se a gente vai na conversa dos dicionários – Verbos e Regimes do Francisco Fernandes, por exemplo –, tachar ‘censurar, acusar’ tanto pode ser escrito com ch como x. Isso era compreensível numa época de indisciplina ortográfica. Digamos, antes de 1943. Depois que se tomou a origem (etimologia) como critério para opção entre s / c, g / j, ch / x, não se justificam variantes ou vacilações. A não ser que se trate de vocábulos de origem desconhecida ou discutível. Uma vez que se sabe que há um derivado detacha e outro de taxa – onde ninguém discute ch e x -, a distinção entre tachar taxar é obvia, rigorosa. [...] (“taxar de bom” pode ser, mas não “taxar de ruim”...!).


Maria Tereza de Queiroz Piacentini

CHUVA DE GRANIZO ou GRANITO?

RAPIDINHA de Português:


Primeiramente, não é chuva de granito, mas sim CHUVA DE GRANIZO que é um tipo de precipitação, que consiste em pedaços irregulares de gelo que precipitam de nuvens tipo Cb (Cumulonimbus) muito desenvolvidas verticalmente. Ou seja: são nuvens que atingem alturas elevadas e, por isso, as gotas de água de seu interior passam para o estado sólido. Quando atingem um tamanho grande e que não podem e não conseguem se manterem no interior da nuvem pelas correntes ascendentes, as ‘pedras’ de granizo finalmente caem. Cada granizo tem normalmente menos de 2cm de diâmetro, mas há  recordes muito raros. Em muitas partes do mundo, é comum a tempestade com pedras de gelo do tamanho de uma bola de tênis. 




E, GRANITO  é um tipo de pedra muito usado nas construções (se vê em soleiras, pias de cozinha, banheiros etc.). Portanto, chuva de granito não existe! Cuidado no uso errado!

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

QUESITO # REQUISITO:







Quesito = ponto, questão, pergunta a ser respondida, item.

Requisito = exigência, condição necessária, formalidade a ser atendida.
 
Os quesitos mais difíceis da prova foram elaborados por renomado professor francês.
 
Informação correta é requisito para se ter opinião.
 
Houve um tempo em que quesito valia por requisito no sentido de “condição”. Por exemplo, “preencher certos requisitos para obter emprego” podia também ser dito “preencher certos quesitos”, mas atualmente se faz a distinção entre os dois termos como acima explanado.